Home  São Paulo (Brasil), 9 a 12 de outubro de 2005

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11º Encontro será no México

No último dia do Encontro, as mais de 1.200 participantes indicaram o México como o país que irá sediar o 11º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe.

Houve uma moção recomendando que a lesbianidade seja o tema central do próximo Encontro.

Estas foram as últimas decisões da plenária do 10º Encontro, ocorrida na tarde do dia 12 de outubro. O início dos debates se deu após a apresentação do vídeo da Campanha El mundo al reves, produzido pela Articulación Feminista Marcosur que, como na abertura do Encontro, emocionou a todas.

Entre os outros pontos que foram objeto de aprovação, aclamação e solicitação de esclarecimentos, estiveram: o manifesto de apoio pela retirada das tropas do Haiti; as recomendações das mulheres portadoras de deficiências – em particular, de deficiência visual –; o manifesto em prol das mulheres encarceradas; um documento das mulheres indígenas; e o manifesto das jovens feministas, lido por um grupo de jovens de vários países. Todos esses pontos foram aclamados.

Los caminos del feminismo latinoamericano

(Mujereshoy) No es un dato menor que 1250 mujeres de 28 países estuvieran dispuestas a convivir cuatro días discutiendo temas que las preocupan y que hacen a su identidad de feministas militantes.

El X Encuentro Feminista Latinoamericano y del Caribe, que acaba de celebrarse en Serra Negra, Sao Paulo, Brasil, tuvo la valentía de poner sobre la mesa de discusiones temas ríspidos y controvertidos, señala en su artículo de análisis Dafne Sabanes Plou.

Los debates dejaron al descubierto las falencias y brechas que existen en un movimiento que no ha logrado definir su proyecto político y que ahora se ve duramente cuestionado por una nueva generación de feministas jóvenes y por las mujeres que, desde su militancia, participan en los movimientos sociales y demandan un feminismo dispuesto a comprometerse con las luchas concretas que se libran en la región por la dignidad de las mujeres, de los pueblos y en defensa del medio ambiente, agrega.

10º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe - a coisa ficou preta!

Nilza Iraci*

Cresceu muito, no último par de décadas, o número de organizações feministas negras que vêm protagonizando a luta contra o racismo e o sexismo, denunciando a discriminação que sofrem as mulheres negras, visibilizando e ampliando a discussão em setores estratégicos da sociedade, como protagonistas de suas próprias lutas, com cara, voz e expressões próprias.

O resultado dessa atuação pode ser dimensionado com a participação das mulheres no 10º Encontro Femnista Latino-americano e do Caribe que aconteceu em Serra Negra de 9 a 12 de outubro. Embora ainda não contabilizados oficialmente, segundo informações preliminares a participação de negras no Encontro estava acima dos 50%, de um total de 1.250 mulheres vindas de estados brasileiros, de outros países da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Europa..

Feminismo em organizações populares

Debater as estratégias e as condições para popularizar o feminismo foi o principal objetivo da oficina promovida pelas feministas brasileiras vinculadas ao SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia (dia 11, na sala Peroba).

Todo o debate partiu da pergunta: "Quais os desafios que a situação de pobreza e de extrema desigualdade (gênero, classe, raça) coloca para o feminismo? Na perspectiva das educadoras do SOS Corpo, a resposta a esta questão se articula com um enorme desafio de sobrevivência: tanto a sobrevivência das feministas de grupos populares, como a de suas organizações. Por isso, também é preciso buscar entender como as nossas ações (de feministas de classe média ou ligadas a organizações consolidadas) com esses grupos populares de mulheres e, ainda, as ações desses próprios grupos têm contribuído para a construção do feminismo.

Diálogo entre gerações

Troca entre as gerações, se reconhecer e construir ações comuns, foi a proposta Diálogo Intergeneracional, ocorrido no dia 11. A atividade, que não estava inscrita, foi impulsionada a partir de um desejo das mulheres jovens que estiveram no Fórum de Mulheres Jovens no dia 10 de outubro.
A dinâmica da atividade foi construída da seguinte forma: as mulheres em pares, sempre uma jovem e uma mulher de outra geração, falavam de si, da sua entrada no feminismo, suas demandas e especificidades.
Veja o texto construído por Gina Vargas– Peru, Liz Melendez – Peru, Suzana Flores – Honduras, Marúsia Lopez- México sobre a experiência.

Feminismo e Juventude: diálogo e construção

O feminismo não pode ser um espaço hierárquico, sem transparência. Deve ter no seu interior um debate de igual para igual, entre os mais diversos sujeitos políticos, inclusive entre as gerações. Esta foi uma das discussões principais do Diálogo Complexo "Feminismo, Juventude e Poder - alternativas à mercantilização e à marginalização em busca de perspectivas democráticas".
De acordo com uma das debatedoras, Zilmar Alverita, do grupo Jovens Feministas de Salvador, devemos pensar nas mulheres jovens como sujeitas políticas e construtoras do Feminismo. Ela afirma que as mulheres são invisibilizadas no movimento de juventudes e no movimento feminista e que, portanto, as jovens feministas devem trabalhar essa relação.

Mandato participativo no Comitê da Mulher

O movimento feminista possue um diálogo aberto com o Comitê que monitora a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher. Isso porque a advogada Silvia Pimentel compõe tal Comitê como uma das/dos 23 especialistas, eleitos por votação secreta pelos Estados-Partes membros da ONU. O mandato de Silvia, que vem sendo construído de maneira participativa, foi o tema de uma das oficinas ocorridas no 10EFLAC.
Na atividade, Silvia Pimentel expôs um pouco como funciona os trabalhos na Cedaw.
O Comitê se reúne uma vez ao ano, em sessões públicas. Durante esse período analisam os relatórios oficiais enviados pelos países, o que significa que são elaborados mediante a visão do governo vigente na época.

“Feminismo contra o etnocentrismo para uma América Latina Democrática”

Por Mônica Maia e Jalmelice Luz

No terceiro dia de atividades do 10º Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, foram realizadas quatro discussões simultâneas, em auditórios lotados: os Diálogos Complexos “Feminismo contra o etnocentrismo para uma América Latina Democrática”.

Na sala Paineira, as debatedoras foram Cecília Olea (Peru) e Martha Sanchéz (México). Cecília Olea apontou que as desigualdades não se originam de uma só situação, mas de uma multiplicidade de causas. Para ela, o feminismo nasce da alteridade, da contestação do espaço público construído para os homens. Entretanto, o feminismo da segunda onda era um “feminismo branco e de classe média”, e teve que sofrer mudanças para acomodar as outras situações nas quais vivem as mulheres. Cecília propôs a reflexão sobre o trabalho doméstico: “se estamos tranqüilas aqui, quem está se incumbindo do trabalho doméstico?”.

Oficina sobre tráfico de mulheres

A pesquisadora Eloisa Gabriel dos Santos, do SMM (Serviço à Mulher Marginalizada), apresentou no dia 10 de outubro uma oficina que abordou a questão do tráfico de mulheres, apresentando o perfil das mulheres envolvidas e os principais aspectos relacionados ao tema.

Os principais objetivos dessa atividade foram estimular o debate e criar um espaço para o fortalecimento de redes e articulações.

Para a pesquisadora, o tráfico de mulheres para fins de exploração apresenta diversas facetas. A finalidade da exploração pode ser prostituição ou outra forma de exploração sexual; a execução de trabalhos ou serviços forçados; a servidão/escravidão; e até a remoção de órgãos. Na avaliação de Eloísa, a questão mais terrível sobre o tráfico é a escravidão.

Jovens Feministas presentes

Somos muitas, diversas, não somos uma categoria homogênea, porém temos as nossas especificidades. Foi assim que as jovens se expressaram no Fórum de Mulheres Jovens Feministas, ocorrido no dia 11 e que contou com mais de cem jovens de toda a América Latina e do Caribe.
O momento, considerado de articulação, foi importante porque ali discutiu-se as demandas, especificidades e estratégias das mulheres jovens feministas. Entre as demandas, as jovens pontuaram ser necessário não construir espaços adultocentricos e verticais, garantir que as mais diversas jovens expressem suas necessidades e apreensões dentro do processo. Além disso, para elas, deve-se trabalhar conjuntamente nos movimentos de juventudes e feminista. Sem deixar de pensar, a partir de onde falam – como mulheres jovens, as demandas para o feminismo e para e com as mulheres jovens, considerando as inter-relações com as demais identidades, raça/etnia, classe social, condições sócio-geográficas, culturais e orientações sexuais.

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