Home  São Paulo, Brésil - 9 au 12 octobre 2005

Ouverture de session

10º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe - a coisa ficou preta!

Nilza Iraci*

Cresceu muito, no último par de décadas, o número de organizações feministas negras que vêm protagonizando a luta contra o racismo e o sexismo, denunciando a discriminação que sofrem as mulheres negras, visibilizando e ampliando a discussão em setores estratégicos da sociedade, como protagonistas de suas próprias lutas, com cara, voz e expressões próprias.

O resultado dessa atuação pode ser dimensionado com a participação das mulheres no 10º Encontro Femnista Latino-americano e do Caribe que aconteceu em Serra Negra de 9 a 12 de outubro. Embora ainda não contabilizados oficialmente, segundo informações preliminares a participação de negras no Encontro estava acima dos 50%, de um total de 1.250 mulheres vindas de estados brasileiros, de outros países da América Latina, Caribe, Estados Unidos e Europa..

Apesar dos avanços conquistados pelas mulheres negras, permanece até hoje, no interior dos Encontros Feministas, em maior ou menos grau, a inclusão da questão racial como um tema periférico das discussões. Esse tema tem sido tratado sob a ótica da mulher negra, como se racismo fosse um problema afeito apenas a esse segmento da população.

O grande desafio para o 10º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe foi o de romper a lógica dos encontros anteriores e incorporar a multiplicidade e diversidade de movimentos de mulheres que atuam no contexto político da América Latina e Caribe.

Trazer para a centralidade dos debates temas pouco aprofundados pelo feminismo, como racismo, multiculturalismo, lesbianidade e juventude, associados à radicalização da democracia, significou, para esse Encontro uma mudança de paradigma para todas as mulheres que apostam nos processos coletivos para a real transformação da sociedade, sem discriminação e preconceito de nenhuma natureza, pedras angulares do feminismo.

Os Diálogos Complexos representaram um grande desafio para o moovimento feminista e demonstrara o quanto ainda temos que caminhar no sentido de vencer os foram importantes para demonstrar o quanto ainda temos que lutar para vencer os limites colocados para cada uma de nós em prol de uma verdadeira democracia feminista.

Mulheres Negras – a unidade possível
A oficina “Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas: Santiago+5 e Marcha+10 – desafios e perspectivas, promovida pela Articulação de Ongs de Mulheres Negras Brasileiras, contou com a participação de cerca de 120 mulheres de diferentes estados e países, onde foram discutidas a participação e a incidência das mulheres negras nesses espaços, do qual têm sido desde sempre protagonistas.

As mulheres negras brasileiras, num gesto de maturidade e ousadia que vem caracterizando sua atuação nos diferentes espaços políticos e sociais brasileiros, resolveram que, em face do impasse criado sobre a data da realização da Marcha Zumbi+10 (dias 16 e 22), e na impossibilidade de reversão desse quadro, construir um documento único, contendo uma análise situação das mulheres negras nos diferentes campos das políticas públicas, e suas principais questões e reivindicações para o Estado brasileiro, nos níveis federal, estadual, municipal, judiciário.

O documento terá como base o resultado do encontro Um Olhar da Mulher Negra sobre a Marcha Zumbi+10, realizado em junlho de 2005, em Guarulhos, organizado pela Casa de Cultura da Mulher Negra de Santos e Rede Feminista de Saúde e será coordenado pela Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras e pelo Fórum Nacional de Mulheres Negras.

* Nilza Iraci é coordenadora de comunicação do Geledés - Instituto da Mulher Negra e integrante da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras e da Comissão Organizadora do 10º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe.


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