Home  São Paulo (Brasil), 9 a 12 de octubre de 2005

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10º Encontro Feminista Latino - Americano e do Caribe

por Silvana Conti*

As nuanceiras estiveram presentes na Serra Negra! Que momento...
Mais de 1.200 mulheres participaram do 10º EFLAC, tornando a Serra Paulista: Negra, branca, cigana, lésbica, indígena, jovem, enfim, de várias nacionalidades, cores,
nuances, buscando refletir sobre:
" Qual é a cara do teu Feminismo"?!
Colocamos no centro do debate as questões de raça, etnia, lesbianidade e juventude, para combatermos a pobreza, a violência e desigualdades.
Não basta existir uma democracia formal ou institucional, reafirmamos que a democracia deve estar presente nas relações sociais e de poder: entre mulheres e homens, crianças e adultos, heterossexuais e homossexuais, negras e brancas, etc.
Muitas destas grandes questões estão colocadas como particulares, vividas por grupos específicos, mas, acreditamos que para termos uma América Latina democrática, estes temas além das questões de classe, devem estar no centro das discussões, já que democracia pressupõe inclusão.

Lésbicas no EFLAC!
Mais uma vez, as Sapas estavam em todos os lugares: na comissão organizadora, no conselho consultivo, e desta vez, a questão da Lesbianidade, como um dos temas centrais, que foram tratados nas grandes mesas enquanto diálogos complexos.
A Liga Brasileira de Lésbicas - LBL - fez várias reuniões, pois efetivou sua indicação para o Conselho Nacional dos Direitos das Mulheres - CNDM -
Dizem as "boas" linguas, que da mesma forma que no XIV Encontro Feminista, realizado em 2003/POA, as sapatas tomaram conta do encontro.
Muito sol, muita festa, muita construção coletiva, muito debate, e muitas vitórias!!!
Muitas Lésbicas Feministas, e a maioria das presentes ao encontro, aprovaram a inclusão das Transexuais no próximo encontro, que será realizado no México, em 2008.
As companheiras Shuma e Gilberta, dentro do processo de votação, fizeram uma excelente defesa da inclusão das Trans, argumentando:
"Em que corpo cabe o feminismo"?
"Vamos ter que levantar as saias e abrir as calças para demonstrarmos que somos feministas"?
"Todas que se autodefinem mulheres, tem o direito de estar nos encontros feministas!
"O que é ser mulher"?
Enfim, entre defesas e propostas contrárias, decidimos por maioria abrir o espaço dos encontros, reconhecendo as Trans, como sujeitos legítimos, entendendo que todas que se auto definirem mulheres feministas, estarão no México em 2008.
Foi realmente um momento de arrepiar, para quem acredita na justiça social, igualdade de oportunidades e num mundo para todas as pessoas!

* Silvana Conti é Lésbica-Feminista-Socialista / Militante do Nuances e da Liga Brasileira de Lésbicas.

Este artigo foi originalmente escrito para publicação no Jornal do Nuances.


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