Home  São Paulo (Brasil), 9 a 12 de octubre de 2005

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Feminismo e Juventude: diálogo e construção

O feminismo não pode ser um espaço hierárquico, sem transparência. Deve ter no seu interior um debate de igual para igual, entre os mais diversos sujeitos políticos, inclusive entre as gerações. Esta foi uma das discussões principais do Diálogo Complexo "Feminismo, Juventude e Poder - alternativas à mercantilização e à marginalização em busca de perspectivas democráticas".
De acordo com uma das debatedoras, Zilmar Alverita, do grupo Jovens Feministas de Salvador, devemos pensar nas mulheres jovens como sujeitas políticas e construtoras do Feminismo. Ela afirma que as mulheres são invisibilizadas no movimento de juventudes e no movimento feminista e que, portanto, as jovens feministas devem trabalhar essa relação.
Maria Amélia Telles, da União de Mulheres de São Paulo, outra debatedora, defende a importância de existirem grupos de jovens feministas e para jovens feministas. Segundo ela, são nesses espaços que se explicitam as dinâmicas, as trocas e há um fortalecimento das identidades.
Segundo a nicaragüense Maria Tereza Blandón, do grupo La Corriente, a relação entre jovens feministas e de outras gerações é nebulosa. “Há uma relação de ambigüidade, as jovens ou nos admiram ou nos temem e devemos discutir isto”. Entretanto, ela afirma que quando as jovens percebem uma mulher de outra geração mais aberta ao diálogo, há mais troca e possibilidade de mudança. Aqui, para ela, começa o diálogo e a construção.
Como os encontros feministas são espaços de construção de significados políticos e culturais, temos que pensar nesses momentos a contribuição das mulheres jovens. Por esses motivos, os encontros foram um dos eixos do debate da mexicana Elizabeth Plácido, do grupo de jovens Elige. Para ela, no oitavo Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe, ocorrido na República Dominicana, parte das atenções se voltaram às mulheres jovens.
De acordo com Elizabeth, “o momento foi produto de algumas inquietudes e preocupações que se davam no interior de alguns países e que foram externadas e visibilizadas naquele momento”. Entre as pautas de reivindicação estavam: a falta de abertura do movimento e a ausência de estratégias para novas ativistas.
Ela destaca que mesmo reconhecendo que as lutas das feministas das gerações anteriores conquistaram mais espaço para as mulheres e promoveram mudanças importantes - que inclusive influenciaram o cotidiano das mulheres -, deve-se perceber que as jovens mulheres feministas vivem em um mundo diferente, marcado pela globalização, pelo neoliberalismo, por avanços tecnológicos e que deve ser pensado também com base em uma perspectiva das mulheres jovens.


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